AQUI TEM GENTE DEMAIS

Mesmo que os mais velhos, ou talvez os intitulados mais experientes, cansem, as novas gerações, cheias ou entupidas de energia, reerguem pilares e cantam: “Aqui tem gente demais, com tempo demais, falando demais”. Um forte refrão, de jovens para jovens, em uma dura crítica a um povo curvado sobre as teclas dos smarts e outras inúmeras evoluções bombardeado de informação muitas vezes fútil. De fato, nossa Barroso tem mesmo não só os joviais, mas ainda os cavernosos, e há algum tempo cor e forma com o refrão referido: tem gente demais, reclamando demais. De uns tempos para cá, nada os satisfaz. Reclamar não é um verbo fácil de engolir. Costuma parar pela garganta e voltar em forma de reações que estamos cansados de ver na Internet, causando consequentemente um clima hostil, revoltante e até vergonhoso. Um verdadeiro palco para quem quer aparecer destilando ódio sobre os teclados.

Responda rápido: Com quantas pessoas você deixou de conversar, olhando nos olhos, porque discutiu pelas teclas ríspidas de um computador que esconde e mascara a realidade dos fatos de um certo Grupo? Se sua mão abriu para pelo menos um, sinal de alerta. A rede mundial de computadores não é, e nunca será, o habitat perfeito para resolver os problemas, nem com o vizinho, nem com o mundo. Pode ser sim, e deve ser, uma plataforma de cobrança, de direitos e de opinião, mas nunca de discussão. Debate, deste ou daquele, por isso ou por aquele, por mais que o planeta evolua, será como nos tempos da zagaia, frente a frente, olho nos olho. Portanto, entenda: não que reclamar seja retroceder, reclamar é fortuito e pode se transformar em uma forma de promover respeito e cidadania em um ambiente democrático, desde que de fato seja de forma democrática e respeitosa o que na nossa região de mídia social não tem sido nem um pouco. Nem democrático, nem respeitoso. Aliás, muito pelo contrário, tem sido feio, de maneira pobre e inútil. E daí, em pleno editorial cantamos e alertamos: “Aqui tem gente demais, com tempo demais, falando demais… Vamos atrás de um pouco de paz”.

Por Bruno Ferreira