A sustentabilidade e o papel social das empresas, por Fernando Terra

No mundo se discute cada vez mais a questão da SUSTENTABILIDADE. O que também envolve a responsabilidade social das empresas, especialmente com os cuidados com o meio-ambiente e com as pessoas, sejam elas seus consumidores, seus funcionários, os funcionários de seus parceiros ou as que vivem no entorno da empresa. Os cuidados devem ir desde a proteção contra acidentes no ambiente de trabalho, passando pela qualidade do produto colocado à venda, pela prevenção à ocorrência de impactos ambientais, pela recuperação ambiental, pela preservação patrimonial e cultural, pelo estímulo à prática esportiva e cultual, entre outros.

Programas e projetos como Atitude pelo Planeta e Cultura e Cidadania estão em linha direta com as questões da SUSTENTABILIDADE. No mesmo caminho está o apoio direto da Lafarge/Holcim à implantação e manutenção do CAP (Comitê de Ação Participativa).

Por essas razões, parabenizamos a empresa e aos seus parceiros, e reconhecemos seus esforços neste sentido.

Há, porém, ações que, sem substituir aquelas acima referidas, podem a elas se somar. São ações que, se adotadas com vontade, trarão resultados fortes e rápidos e por demais importantes para sociedade barrosense. Elas têm a ver com a geração de postos de trabalho para pessoas residentes em Barroso, com o apoio às empresas aqui estabelecidas, com a geração de renda e sua movimentação no comércio de bens e serviços dentro do Municípioe com a geração de arrecadação de tributos para o Município, ainda que por meio de repasse federal ou estadual.

Não é mais novidade para nenhum de nós que a crise econômica que se instalou no Brasil e tem sua face mais perversa na perda de postos de trabalho (já são mais de 11 milhões de desempregados no Brasil), também chegou aqui.

As ações a que nos referimos e que vão se somar aos esforços pela SUSTENTABILIDADE e mitigar os efeitos negativos da crise no Município, são ações para articulação e construção de um verdadeiro APL – ARRANJO PRODUTIVO LOCAL em torno da fábrica de cimento. E não há ninguém melhor que a Lafarge/Holcim, apoiada pela ACIB, pela ASBEM, pela Coopertrans Barroso, pela Prefeitura e pela Câmara Municipal, para proceder às articulações, estabelecer os contornos e colocar em macha este APL.

Fortalecer as associações e as cooperativas de empresários é também fortalecer a economia municipal e, por consequência, fortalecer Barroso.

Quer um exemplo? Para produzir a empresa precisa adquirir vários insumos que precisam ser transportados para Barroso, e o cimento produzido pela empresa precisa ser transportado até seus destinatários. Assim, são milhões de toneladas de insumos que chegam e milhões de toneladas de cimento que saem e, por consequência, são milhares de viagens para o transporte destas cargas. Se, dentro do ARRANJO PRODUTIVO LOCAL, parte significativa deste transporte for efetuada por empresas transportadoras de Barroso, inclusive através da Cooperativa onde estão reunidos os transportadores menores (mas um dia poderão também estar junto os maiores), teremos garantido vários empregos no Município. Isto manterá as famílias destes trabalhadores e haverá, também,a circulação de renda irrigando a economia local.

De certa forma, extraoficialmente e de modo não sistematizado, já existe há muitos anos um “arranjo produtivo local”, com empresas locais prestando serviços diretamente à Cimenteira, seja como empresas terceirizadas em atividades-meio, seja como transportadoras de cargas, seja indiretamente como empresas vendedoras de mercadorias.

Entretanto, é preciso criar um APL efetivo, robusto e sustentável, como parcerias concretas entre as empresas envolvidas, o Poder Público e as Associações empresariais, de forma a fazer deste ARRAJO PRODUTIVO uma Política Pública no bom sentido do termo. É, enfim, fazer com que os empregos e os agregados econômicos gerados em torno da atividade cimenteira fiquem, sempre que possível, aqui em Barroso.

Mas tal ARRANJO PRODUTIVO LOCAL só é possível se a Lafarge/Holcim fizer dele uma estratégia prioritária e assumir a liderança na construção do mesmo. Por esta razão, convidamos a Empresa a refletir sobre isto, juntamente com os Poderes municipais constituídos e com as Associações empresariais, porque, em nosso entender e na expectativa dos barrosenses, tal atitude também faz parte do papel social da empresa em relação à comunidade em que está instalada.

Um forte abraço a todos.

 

Por Fernando Terra