A ILUSÃO DO AUTOELOGIO

Na coluna “Do Fundo Do Baú” do último número deste jornal o historiador barrosense Wellington Tibério, de maneira levemente sarcástica, mencionou a indisfarçável vaidade de vereadores locais, que usam sua função para a própria exaltação. Uma das formas desse uso é dar seu nome a alguma rua da cidade, antecipando-se ao julgamento da História. Dizem os advogados que não é ilegal o que não é proibido. Assim sendo, o vereador que assim age não está cometendo ilegalidade alguma. Por outro lado, o artigo 34 da Lei Orgânica do Município de Barroso, em seu Inciso XVI, diz que compete privativamente à Câmara Municipal: “conceder título de cidadão honorário ou conferir homenagem a pessoas que reconhecidamente tenham prestado relevantes serviços ao Município ou nele se destacado pela atuação exemplar na vida pública ou particular.”

Agora, convenhamos, não é ilegal -mas chega a ser ridículo – que algum vereador, não sendo barrosense, homenageie a si mesmo com um título de cidadão honorário ou se promova com um Diploma de Honra ao Mérito, ou dê o próprio nome a alguma rua da cidade. Como dizia o Rei Salomão: VAIDADE DAS VAIDADES… Aliás, a lei é clara: a homenagem deve ser prestada ao cidadão ou cidadã, pela Câmara Municipal, não apenas pelo fato ser ou ter sido vereador, MAS POR TER PRESTADO RELEVANTES SERVIÇOS AO MUNICÍPIO.

Depois desse rodeio, volto ao “Fundo do Baú” com a matéria “UMA AVENIDA DE VÁRIOS NOMES”, na qual Wellington Tibério fala da Avenida Tiradentes, no bairro Jardim Europa, a qual já foi Avenida Minas Gerais, que depois de vários anos foi rebatizada com o nome do ex-prefeito Genésio Graçano. Só que nessa sucessão de nomes houve uma omissão, certamente involuntária, do nosso historiador. No canteiro central desta importante via pública, junto ao trevo da BR 265, existe um marco de concreto com placa comemorativa de bronze, que declara oficialmente que ali se inicia a Rodovia Caetano Aliani Filho, ligação de Barroso a Dores de Campos, inaugurada em fevereiro de 1991 pelo Governador de Minas Gerais, Dr. Newton Cardoso.

E agora? A Avenida Genésio Graçano, ex-Tiradentes, ex-Minas Gerais, é uma via urbana de Barroso ou o quilômetro inicial de uma estrada estadual, oficialmente inaugurada há 24 anos por um governador do Estado? Aí está o enigma. Se a segunda alternativa prevalecer, sua manutenção, conservação, sinalização e fiscalização, do trevo da BR 265 à bifurcação para Dores de Campos, é de responsabilidade do DER e, neste caso, os quebra-molas nela colocados pela Prefeitura de Barroso seriam irregulares, por ser uma rodovia estadual. Mas, ao contrário, se prevalecer a primeira alternativa, a Prefeitura de Barroso, através do seu Conselho de Trânsito,  é que é responsável pela avenida.

Fica aí o enigma para o historiador Wellington, para a polícia de trânsito de Barroso e/ou para a Polícia Rodoviária Estadual e o DER. Resolva o enigma quem puder fazê-lo.

Por Paulo Terra