A história política em números

Pela primeira vez na história da comunicação barrosense, os leitores dos jornais impressos do município terão o prazer de avaliar eleição por eleição em um levantamento inédito e exclusivo feito pelo Barroso EM DIA. Com parte dos dados levantados e coletados através da Assessoria de Comunicação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, TRE-MG, os eleitores da cidade vão poder analisar os números, as conquistas e as derrotas ao longo da história político-administrativa desde 1953. Em sequência, na arte ao lado, é possível acompanhar a vitória de cada prefeito, que em algumas ocasiões, retornaram ao poder por mais de uma vez. Ao longo da história, foram 15 eleições e nove prefeitos.

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As disputas eleitorais 

A história política de Barroso tem início com um decreto de emancipação, em que o funcionário de carreira do Estado, Salomão Barroso, foi nomeado intendente (espécie de prefeito), em 1º de janeiro de 1954, pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, o JK, que mais tarde se tornaria presidente do Brasil. No mesmo ano, a primeira eleição direta é disputada entre Geraldo Napoleão de Souza, do Partido Social Democrático, o PSD, e, Humberto Carbonaro, da União Democrática Nacional (UDN). Geraldo, que hoje tem um busto exposto na Praça Sant’Ana, vence as eleições e se consagra como o primeiro prefeito do município. Já nas eleições de 1958, João Alves de Macedo Couto, da UDN, é eleito o segundo prefeito da cidade. Macedo Couto foi sucedido por outro udenista, Inimá Rodrigues Pereira, o Mazinho, que venceu as eleições de 1962 e governou Barroso entre 1963-1966.

“Predominantemente, eram duas correntes políticas na época: o Partido Social Democrático (PSD), liderado por Geraldo, e a União Democrática Nacional (UDN), chefiada por João Alves de Macedo Couto, um dos farmacêuticos da cidade”, observa o colunista do Barroso EM DIA, Paulo Terra. Em 1966 aparece o nome de Genésio Graçano que vence o pleito e administra a cidade até 1970 quando Geraldo Napoleão lança na política o sobrinho Baldonedo Arthur Napoleão, que estudava pós-graduação nos Estados Unidos. Com apenas 26 anos, Baldonedo vence então o chamado mandato tampão e fica como prefeito em 1971 e 1972. Em 1973, retorna ao executivo Genésio Graçano que fica até 76, quando a Prefeitura de Barroso começa, pelos 24 anos seguintes (1976-2000), um revezamento no poder entre José Bernardo Meneghin, que aparece no cenário político, e Baldonedo. “A eleição mais complicada foi a de 1982 quando a Fábrica de Cimento interviu diretamente no pleito, colocando máquinas e caminhões na carreata em prol de Baldonedo, que tinha como vice Antônio Strauss, que era vice-gerente da Fábrica também”, conta Paulo Terra que relembra que uma demissão em massa na cimenteira só aconteceu após o pleito de 82. “A fábrica precisava fazer umas demissões, mas, para ganhar as eleições, eles resolveram segurar. Tão logo Baldonedo foi eleito, o gerente demitiu 400 funcionários e causou um mal estar enorme na cidade”, diz o colunista sobre o mandato de seis anos. Já em 1988, José Bernardo Meneghin teve a maior diferença de um pleito do primeiro para o segundo colocado. Foram 1.149 votos de frente. O candidato Adilson, na época, era a aposta do momento. A terceira via, de Andrade, também pleiteou uma vaga. O ano de 1992 também é curioso. A maioria da população opta por Baldonedo novamente, mas quem assume a Prefeitura é Adelmo Graçano, seu vice na chapa. Baldonedo foi eleito suplente a Deputado Estadual e exerceu o mandato de prefeito por apenas 14 dias. Já em 1996 aparece, pela primeira vez na história, uma mulher eleita na política barrosense na chapa majoritária. Marlene, vice de Meneghin, que foi pé-quente naquele ano. Mas uma mulher ainda chegaria ao cargo mais alto da cidade, o cargo de prefeita. Depois de disputar as eleições por duas vezes e aumentar sua votação, chegou a vez de Eika Oka assumir a Prefeitura de Barroso, sendo a primeira mu-lher da história a se tornar prefeita do município. Adelmo Graçano também foi eleito pela segunda vez vice-prefeito da cidade. A diferença foi de apenas 207 votos contra Arnô Napoleão e Tonho. No pleito seguinte, em 2004, Arnô, agora com Adelmo, vence Eika e João Pinto. Assim como Eika, antes de chegar ao poder, Arnô também havia perdido duas eleições na cidade. A diferença foi de 416 votos. Em 2008, a dupla Eika e João Pinto volta a assumir a Prefeitura de Barroso. Apesar dos problemas enfrentados na justiça por Eika com relação à legalidade da chapa, Arnô, mesmo perdendo, continua na Prefeitura por três meses. Com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela retorna ao poder. Foram 684 votos de diferença nas eleições de 2008, e, pela segunda vez, em 2012, Eika e João Pinto voltam a vencer as eleições. Ninguém na história repetiu uma chapa vencedora por duas vezes. A diferença foi de apenas 271 votos frente ao candidato Reinaldo Gambá e ao vice Ronan. Quatro anos depois, o destino coloca Reinaldo Gambá em disputa com João Pinto. Ou seja, 20 anos depois, PSDB e PMDB entram na disputa pela Prefeitura de Barroso. Quem vencer também leva o status de Décimo Prefeito na história da cidade.

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